Indicado a dois prêmios Açorianos de Literatura, Escobar Nogueira faz do poema uma construção

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Fortaleza dos Valos (antigo distrito de Cruz Alta) tinha cerca de mil habitantes quando Escobar Nogueira nasceu. Foi nesse pequeno lugar que ele passou sua infância e descobriu os encantos da literatura. Típico da região, duas atividades eram tradicionais naquele local: jogos de futebol e rodeios crioulos.

E quem poderia imaginar que de um rodeio nasceria um escritor? Pois foi durante uma tertúlia que Nogueira, em torno dos 11 anos, encantou-se pela declamação de um homem.

- A maneira como ele falava me chamou atenção. Fiquei vidrado, escutando-o. Meu primeiro contato com a palavra acabou acontecendo da forma mais genuína: a oralidade - explica.

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A partir disso, ele conseguiu um livro do Jayme Caetano Braun emprestado e começou a ler, explorando a leitura da poesia regional. Já num segundo momento de fissura pela leitura, o poeta se fascinou com as histórias em quadrinhos, especialmente os clássicos transformados em HQ.

- Acredito que o encontro entre o livro e o leitor pode ser ocasional e não preso apenas à escola ou à família. Por exemplo, estava em um rodeio, ouvi uma declamação, emocionei-me e essa situação me despertou para a leitura - argumenta.

Escrita como uma costura de sentidos

Foi ainda na adolescência que Nogueira começou as suas
produções. Seus dois primeiros livros eram repletos de poemas sobre o amor. Hoje, ele brinca que não os publicaria, pois nasceram do calor da juventude.

- Eu os procuro em sites e sebos, compro e incinero, para
não ter perigo que se espalhem - conta o escritor, rindo da própria situação.
Justamente para que os novos aventureiros da escrita não se arrependam de suas impressões, ele esclarece:

- Quando escrever, tenha calma, não tenha pressa, releia o que produziu, guarde, leia de novo. Nesse aspecto, a internet é ótima, porque posso publicar, vai ser lido, conhecido, posso receber críticas e elogios. Ainda, evita-se erros tão graves de português. E, se não der certo, retiro da rede. Outra coisa: com a idade mudamos muito, e mudamos o jeito de ler e escrever. Por exemplo, se aos 40 você ler as cartas de amor que escrevia aos 17, você vai se apavorar "Eu escrevi isso?".

Com esse interesse pelas palavras, Nogueira trocou a faculdade de Economia pela de Letras. Na época, ele morava em Pejuçara e ía todos os dias até a Unijuí. Até que percebeu que lhe faltavam interlocutores para conversar sobre literatura. Por isso, em 1997 veio para Santa Maria a fim de terminar aqui o curso.

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Foi com a graduação e a prática que ele começou a perceber que o ofício de escrever não era fácil. Que era preciso haver um trabalho com a escolha e organização das palavras. Já quanto às suas inspirações, o poeta afirma que é um processo natural.

- Às vezes, me chamo de um "ladrão de ideias", fico escutando conversas, faço anotações de certas situações, até de uma palestra. Não costumo carregar bloco de papel, uso o do celular.

Delimitado o tema para um próximo poema ou livro, Nogueira gosta de trabalhar com a ideia de coluna vertebral, ou seja, que os poemas tenham uma linha de ligação, uma costu"

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